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terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Ideologia(s) e Alienação
Ideologia(s) e Alienação
29 de janeiro de 2011
Segundo o Dicionário Aurélio, ideologia é “um conjunto articulado de idéias, valores, opiniões, crenças, etc., que expressam e reforçam as relações que conferem unidade a determinado grupo social seja qual for o grau de consciência que disso tenham seus portadores”. Aranha & Martins descrevem a ideologia como um conjunto de idéias, concepções ou opiniões sobre algum ponto de discussão, constituindo “um corpo sistemático de representações que nos ensinam a pensar e normas que nos ensinam a agir”, comentando que “(...) a ideologia mostra uma realidade invertida, ou seja, o que seria a origem da realidade é posto como produto e vice-versa; o que é efeito passa a ser considerado causa, o que é determinado é tido como determinante”.
Características Fragmentárias
Pierre Furter comenta sobre a característica fragmentária da ideologia que, por ser algo elaborado em função de objetivos concretos, resulta num processo de dominação, onde se justifica determinados valores e pontos de vista, impedindo a tomada de consciência autêntica do indivíduo. Para ele, este procedimento aliena o indivíduo, pois “quebra a unidade dialética entre o pensar e do atuar”.
Pierre Furter comenta sobre a característica fragmentária da ideologia que, por ser algo elaborado em função de objetivos concretos, resulta num processo de dominação, onde se justifica determinados valores e pontos de vista, impedindo a tomada de consciência autêntica do indivíduo. Para ele, este procedimento aliena o indivíduo, pois “quebra a unidade dialética entre o pensar e do atuar”.
Wanderley Codo descreve que “o homem alienado é o homem desprovido de si mesmo. Se a história distancia o homem do animal, a alienação re-animaliza o homem”. Se através da alienação o homem torna-se alheio de si, este deixa de pertencer a si mesmo. “O homem perde não apenas a identidade de si mesmo, a consciência de si, mas passa a pertencer ao objeto, à coisa, ao outro”. Diz-se ainda que o homem está alienado quando deixa de ser seu próprio objeto para se tornar objeto de outro, deixa de ser algo para si mesmo. Quando sua vontade é a vontade de outro ele é coisificado. Deixa de ser homem, criatura consciente e capaz de tomar decisões, para se tornar coisa, objeto alheio (Leôncio Basbaum).
O produto do trabalho alienado é uma coisa alheia. Para Rubem Alves, o trabalho não-alienado proporciona em cada objeto o rosto de quem o produziu. O sujeito que realiza um trabalho artesanal sem carteira registrada não segue ordens de uma empresário, não possui supervisão de chefe, mas, sua própria supervisão, onde por sua vontade e necessidade imprime em seu produto a sua imagem, a sua vida e o seu sentimento. Cada trabalho artesanal possui uma imagem, nenhum é igual, carregando consigo características de quem o produziu. Rubem comenta que “operários que trabalham em linha de montagem não assinam suas obras (porque não são deles) nem vêem seu rosto refletido nelas”. Na alienação o homem não se percebe como produtor de sua cultura, tornando-se produto duma cultura alheia.
Homens e mulheres que vão para o trabalho, no qual empenham sua própria vida para gozo de outros; jovens que vão para a guerra para serem mortos, sabendo que vão morrer, até com certa satisfação, acreditando que vão defender a civilização ociental e cristã. E homens que se prestam ao papel de ensinar aos jovens que tudo isso é muito certo e muito justo. (Leôncio Basbaum)
Para Leôncio, as máquinas de alienação são, em primeiro, a família e em segundo, a escola, ele comenta que o antídoto para a alienação seria a rua, pois a família, a escola e o trabalho são instituições que estão a serviço da alienação, se a situação das instituições continuar como se encontra, a marginalização será o único meio de se livrar da alienação.
Referências:
ALVES, Rubem. A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Papirus, 2001.
ARANHA, M. Lúcia de A. & MARTINS, M. Helena P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1993.
BASBAUM, Leôncio. Alienação e Humanismo. São Paulo: Global, 1982.
CHAUÍ, Marilena S. O que é Ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1988.
CODO, Wanderley. O Que é Alienação. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.
FURTER, Pierre. Educação e Reflexão. Petrópolis: Vozes, 1976.
HOLANDA, Aurélio B. Dicionário Aurélio Século XXI. Nova Fronteira, 1999.
Referências:
ALVES, Rubem. A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas: Papirus, 2001.
ARANHA, M. Lúcia de A. & MARTINS, M. Helena P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1993.
BASBAUM, Leôncio. Alienação e Humanismo. São Paulo: Global, 1982.
CHAUÍ, Marilena S. O que é Ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1988.
CODO, Wanderley. O Que é Alienação. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.
FURTER, Pierre. Educação e Reflexão. Petrópolis: Vozes, 1976.
HOLANDA, Aurélio B. Dicionário Aurélio Século XXI. Nova Fronteira, 1999.
Bruno Carrasco, 2005.
IDEOLOGIA, SEGUNDO CHAUÍ
A ideologia
A alienação social se exprime numa “teoria” do conhecimento espontânea, formando o senso comum da sociedade. Por seu intermédio, são imaginadas explicações e justificativas para a realidade tal como é diretamente percebida e vivida.
Um exemplo desse senso comum aparece no caso da “explicação da pobreza, em que o pobre é pobre por sua própria culpa (preguiça, ignorância) ou por vontade divina ou por inferioridade natural. Esse senso comum social, na verdade, é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita pelos pensadores ou intelectuais da sociedade - sacerdotes, filósofos. cientistas, professores, escritores, jornalistas, artistas -, que descrevem e explicam o mundo a partir do ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante de sua sociedade. Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum social é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista, as opiniões e as idéias de uma das classes sociais - a dominante e dirigente - tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda a sociedade.
A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da idéia de “humanidade”, ou da idéia de “nação’ e “pátria”, ou da idéia de “raça”, etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social das classes, mas por diferenças individuais dos talentos e das capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc.
A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as idéias.
Por exemplo, a ideologia afirma que somos todos cidadãos e, portanto, temos todos os mesmos direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. No entanto, sabemos que isso não acontece de fato: as crianças de rua não têm direitos; os idosos não têm direitos; os direitos culturais das crianças nas escolas públicas é inferior aos das crianças que estão em escolas particulares, pois o ensino não é de mesma qualidade em ambas; os negros e índios são discriminados como inferiores; os homossexuais são perseguidos como pervertidos, etc.
A maioria, porém, acredita que o fato de ser eleitor, pagar as dívidas e contribuir com os impostos já nos faz cidadãos, sem considerar as condições concretas que fazem alguns serem mais cidadãos do que outros. A função da ideologia é impedir-nos de pensar nessas coisas.
Marilena Chauí, “Convite à filosofia” – Ed. Ática, p.172-5
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